segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Capitalismo e Meio Ambiente

Atualmente, é impossível imaginar uma educação que não tenha o meio ambiente como tema. Assim como não podemos deixar de discutir o meio ambiente sem questionar o sistema capitalista, ou ainda, o crescimento econômico. Somando esses dois fatores chegamos a equação do tão falado desenvolvimento sustentável.Como você pode ter um meio ambiente menos poluído, diminuir o aquecimento global e diminuir a camada de ozônio com uma cultura que prima pelo consumismo descontrolado?

Apesar de haver uma conscientização das pessoas em relação ao meio ambiente, elas continuam consumindo. Significa dizer que uma cultura de sociedade de consumo não se desconstrói do dia para noite.Por outro lado, as empresas e os governos preocupados com a própria imagem começaram a se mecher há algum tempo. E no dia 16 de setembro ocorreu o 20º aniversário da assinatura do Protocolo de Montreal — acordo internacional pioneiro que deteve e, eventualmente, reverteu o processo de redução da camada de ozônio, lançando uma nova era de responsabilidade ambiental.

O Protocolo foi bem sucedido e os 191 países signatários eliminaram, conjuntamente, mais de 95% das substâncias que destroem a camada de ozônio, e a expectativa é que, até 2075, a camada de ozônio que protege a Terra retome seus níveis anteriores à década de 80.

Por isso, ambientalistas estão animados, pois, acreditam que o aquecimento global também pode ser revertido com o cumprimento dos ODM – Objetivos para o Desenvolvimento Mundial, dentre eles o de garantir a sustentabilidade ambiental.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

"Isso Não Vale! Queremos Participação no Destino da Nação."

Esse é o tema do Grito dos excluídos de 2007. No 1º dia do 9º encontro dos articuladores, ocorrido nos dias 23 a 25 de março, formou-se a roda da inclusão, todos se apresentaram e disseram o destaque do ano anterior. A repressão policial e a falta de apoio do gov. foram os destaques negativos da maioria e o positivo foi o aumento dos participantes em todo o Brasil.
Dois deles chamaram a atenção. O primeiro, de Silvana Prestes, 36, sindicalista. Disse que participava do movimento com seus 2 filhos, Rafael, 10 e Diogo, 12, segurava uma bandeira e teve que abaixá-la por ordem de um policial até chegar à concentração. A todo o momento eram bloqueados pela PM e após, impedidos de fazer o ato em frente ao palanque das autoridades, ficaram atrás cercados pela PM. O segundo, de Eduardo R. Madureira, 27, assessor, disse que houve abaixo assinado de 6 mil pessoas para abertura de CPI na Câm. dos Dep. para apurar acusações de corrupção.
À tarde, a dep. fed. Luíza Erundina chegou para a palestra. Pouco antes de iniciá-la disse que o movimento "é uma manifestação necessária, legítima e de discussão sobre a política econômica. Tem compromisso com os direitos humanos. Traz conscientização dos seus direitos e promove mudanças."
Na palestra a dep. fez uma análise da conjuntura política e social do país: "o partido não representa mais uma ferramenta de educação política como antes. O PT chegou ao seu limite e não é capaz de fazer as reformas de base. Não fez a ruptura com os antigos setores da sociedade."
Tecnologia digital
Erundina alertou que os grandes meios de comunicação querem que os novos meios que serão criados com a tecnologia digital fiquem consignados aos já existentes. Para ela essas famílias não querem dividir o poder.
Socialismo
Para a deputada "o modelo soviético não acompanhou a dinâmica da realidade. Contudo, o socialismo não tem um final, pois é uma visão de mundo." Segundo Erundina "falta um novo projeto para criar uma nova sociedade já que o próprio planeta está em risco."
Partidos sem projeto
A deputada confessou: "hoje não há nenhum partido com projeto, inclusive o meu partido, o PSB!" Segundo ela "o parlamento deve ser um meio de manifestar as vontades do povo. Mas seria uma injustiça com o projeto social generalizar que todos os políticos foram prostituídos. Não esperem mudanças e sim vozes isoladas."
Assim foi o 1º dia do encontro. Na 6ª f. entrevistei Ari Albert, coordenador do grito e sábado o prof. Alfredo J. Gonçalves. Vamos às entrevistas: para Ari "a Assembléia Nacional revelou que não pode mudar a realidade, mostrando que é um grande balcão de negócios". Foi enfático ao dizer que "é preciso democracia direta e participativa, pois a representativa não tem mais função e só legisla para os seus interesses."
Novo sistema
Para ele o objetivo do movimento é "um projeto popular. Mudar o modelo que não favoreça apenas o capital, mudar para o socialista. Não o antigo, mas um novo modelo. A mudança passa pelas lutas de massa e mobilização popular."
O prof. Alfredo, em relação à genética, disse que "toda a técnica é uma faca de dois gumes. Ela pode beneficiar ou prejudicar vidas como p. ex. a criação de um mercado clandestino de órgãos", alertou.
A igreja deve cortar na própria carne
Alfredo concordou com a afirmação acima: "acho que sim. Isso tem que ser feito. Tem um lado da igreja que é latifundiário e outro que apoia os ‘sem terra’. Alguns setores da igreja estão ligados aos mais poderosos e outros aos setores sociais."
Comunismo
Afirmou que "é possível a convivência entre comunismo e igreja, pois a religião é uma necessidade profunda do ser humano, independentemente do meio social em que vive."
No fim do encontro debateu-se a anulação da privatização da Vale e a reestatização, tema do plebiscito do dia 7 de setembro. Além do trocadilho, "isso não Vale", há boas razões para a anulação da privatização da Cia.. Uma delas é a venda ter sido feita por R$ 3,3 bi, apesar do patrimônio avaliado em R$ 92,64 bi.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Universitário é condenado por ofender colega pelo Orkut

O aluno de uma faculdade de contagem ofendeu seu colega chamando-o de "extra-terrestre". O aluno publicou foto e texto numa comunidade criada no site de relacionamento do "Orkut" e terá que indenizá-lo. O valor da indenização por danos morais foi de R$ 3500,00. A decisão foi da 9ª Câmara Cível do TJMG – Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Segundo a assessoria de imprensa do TJMG "em novembro de 2005, o aluno ofendido tomou conhecimento, através de colegas, que sua imagem estava exposta em uma comunidade do Orkut. A comunidade foi criada por outro aluno da faculdade, exclusivamente para zombar da aparência da vítima, comparando-o a um extraterrestre". Alegou que, "após a disponibilização da comunidade no Orkut, foi vítima de chacotas, olhares de deboche, risadas e comentários maldosos na faculdade..." Após isso, o aluno ajuizou ação de indenização por danos morais contra "dono" da comunidade.
O autor da ofensa alegou que a comunidade foi criada pelo próprio ofendido. O desembargador disse que era um "expediente utilizado para tentar iludir a Justiça (...) certamente não esperava que sua conduta antijurídica redundasse em uma ação de indenização por danos morais, já que estava escudado atrás de um pretenso anonimato, como costuma acontecer com os usuários da Internet, gerando uma crescente consciência de impunidade e, por isso mesmo, incentivando, cada vez mais, a prática de ações levianas, ousadas e, até mesmo, criminosas" (sic).
A informação foi publicada pela Assessoria de Comunicação Institucional do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em 19 de abril de 2007. O no. do processo é: 1.0024.05.890294-1/001.

terça-feira, 27 de março de 2007

Grito dos Excluídos

Para Luíza Erundina "não há nenhum partido com projeto inclusive o meu PSB".
O Encontro do Grito dos Excluídos teve como um dos seus pontos altos a palestra com a Deputada Federal Luíza Erundina. A reunião dos articuladores do Grito dos Excluídos deste ano ocorreu em São Paulo nos dias 23 a 25 de março. A cobertura completa do encontro sairá no Jornal "Grito dos Excluídos" produzido pelo núcleo social de jornalismo da Metodista.
Obs: Depois de publicada a reportagem disponibilizarei no blog as entrevistas na íntegra do coordenador Ari Albert e do Prof. Alfredo J. Gonçalves.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Dia triste, mas Histórico

No dia oito de março de 1857, em torno de 130 mulheres foram trancadas pela polícia e morreram carbonizadas dentro de uma fábrica de tecidos em Nova York - EUA, após greve pela diminuição da jornada de trabalho de 16 para 10 horas e pela licença a maternidade. E por isso é considerado o dia internacional da mulher. Mas, isso só foi reconhecido pela ONU - Organização das Nações Unidas em 1975, após 118 anos do ocorrido.

Vocês já imaginaram como deve ter sido agonizante a morte dessas heroínas? A morte por queimadura é uma das mais doloridas que existe, se não for a maior.

Imaginem os diálogos que se seguiram dentro daquela fábrica. Num esforço de imaginação ficamos pensando o que pode ter sido dito dentro daquela fábrica:

- E agora mulheres estamos aqui trancadas e vamos morrer por nada. A culpa é sua M.? - Disse P.

- Ela não tem culpa. Ninguém foi obrigada a estar aqui. - Disse F.

- Mas eu sabia que isso não ia dar em nada e vocês fizeram eu acreditar nessa greve. - Retrucou P.

- Nossa luta não vai ser em vão, esse dia nunca mais será esquecido. - Disse M. abraçando P.

quarta-feira, 14 de março de 2007

FELICIDADE É TER UM EMPREGO EM WALL STREET?


O filme “A procura da Felicidade” conta aquela velha estória do sonho americano: basta você se esforçar, ser o melhor, ter um emprego em Wall Street e trabalhar na bolsa de valores para ser feliz, afinal o Capitalismo seleciona os melhores e dá oportunidade para aqueles que são dedicados. Não importa se você é negro, pobre, tem um filho para sustentar e está desesperado porque não tem dinheiro para se alimentar e um teto para morar, pois, basta você lutar.
Felizmente ou infelizmente esse sonho que se vende como uma bula de remédio em farmácia, mas com prazo de validade vencido eu já não tenho.
Quantas vezes você já escutou por aí: “se você é bom você consegue” é o sonho americano incutido na cabeça do imaginário popular. Vamos ver exemplos não de bons profissionais, mas de gênios que superaram sua época e tiveram uma vida humilde e nunca enriqueceram. Van Gogh, pintor que hoje seria milionário foi desprezado pela sua época; Kafka foi um dos maiores escritores da sua época, era advogado e nunca enriqueceu.
O capitalismo não seleciona bons profissionais apenas, seleciona péssimos também e, além disso, deixa de selecionar milhares de pessoas boas também.
A questão é que não há espaço para todos os profissionais porque o capitalismo é excludente, mas tentam vender a imagem de que é possível ganhar dinheiro e ser feliz, basta sua força de vontade.
Por que não fazem um filme americano contando o que aconteceu com a Argentina onde milhares de pessoas ficaram desempregadas da noite para o dia, onde a pobreza e a miséria se instalaram, pessoas saíram do seu país ou tiveram que viver com baixíssimo padrão de vida e, ainda, as empresas americanas sugaram todo o capital. Por que não perdoam a dívida dos países mais pobres? Será que não interessa para eles que fiquemos mais pobres ainda?
Será que é tão difícil olhar e ver que o capitalismo é excludente, não importa se você é pobre ou milionário; se você hoje está empregado ou não, isso é um fato, caso contrário não teríamos a desigualdade social a níveis alarmantes no Brasil.
Felicidade é realização profissional para alguns, para outros é encher o bolso de dinheiro. Seria bom se cada um tivesse o modelo de felicidade que deseja e não comprassem apenas o modelo americano, como gado indo para o abate como aquela estátua na frente do prédio da bolsa de valores de NY.

O último discurso de o grande ditador

Eu li esse texto do Charles Chaplin pela primeira vez em 1987, com 14 anos e fiquei fascinado com a beleza dele, espero que gostem tanto quanto eu:

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador, não é esse meu ofício, não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - Judeus, o gentio...negros...brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para o seu infortúnio.
Porque havemos de odiar e desprezar uns ous outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenena a alma dos homens... Levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, precisamos em perdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente a vontade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, crianças... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocente. Aos que me podem ouvir eu digo: " não desesperais!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia..." da argura de homens que temem o progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá."
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos arregimentam as vossa vidas... que ditam os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois!
E com amor a humanidade em vossas almas! Não odeies!
Só odeiam os que não fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Luteis pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São
Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - e não dentro de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós o povo, tendes o poder! O poder de criar máquinas. O poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança a velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados tem subido no poder, mas só mitificam!
Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo abater as fronteiras nacionais. Dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo?
Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam!
Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem banhou asas afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos Hannah!
Ergue os olhos Hannah!"
Charles Chaplin

Poemas que escrevi em momentos de inspiração

Amizade
(dedicado a minha amiga mineira, Mariana)
Como é bom te ter como amiga.
Poder te contar de tudo com o coração.
Sem medo, sabendo que irás entender, ainda que não concorde.
Feliz daquele que te tem como amiga porque não há nada melhor do que uma amizade sincera em que o tempo e a distância não podem separar.
Amizade é isso, é entender sem cobrar do outro, é estar em sintonia com a alma de quem se gosta.
É contar com a pessoa certa nos momentos mais cruciais da nossa vida.
Isso não significa estar sempre junto, mas sempre perto e de prontidão.
É uma palavra na hora certa ou apenas um abraço apertado.
Você é tudo isso para mim.
Presságios de uma perda anunciada
(Uma das minhas desventuras desastrosas por amor)
Se eu não chegar ou se chegar ao meu destino, quero dizer que te amo;
Se o barco afundar ou se aportar em seu coração, quero que saibas que te amo;
Se eu não for o homem da sua vida ou se for, quero que me ames como eu te amo;
Se o destino nos separar ou se nos unir, quero que sintas que te amo;
Se eu não estiver ao seu lado e um dia na tua vida se perguntares se alguém te amou verdadeiramente e se entregou de corpo e alma para te conquistar, quero que tenhas certeza que te amo.
A nova Conquista
(Esperança de tempos melhores)
De que adianta o meu querer, sem o teu sentir, ou,
o teu querer, sem o meu sentir.
Só sei que não quero ser mais um nome no teu diário,
mais uma data no teu calendário,
mais um amigo a te consolar nas noites de tristeza.
Me digas então como posso te conquistar, ou, se preferir eu espero que me conquistes,
Que seja sem dor, Que não seja fogo de palha,
Que tenha o tempero do amor,
Mas com uma pitada de paixão.
Que o aroma te faça provar algo que nunca sentiu e que me faça sentir algo que nunca provei.
Não quero ilusões nem expectativas,
Quero empatia e sintonia. Sem medo de errar ou de tentar;
De gostar ou de não gostar;
De sofrer ou de ser feliz.
Tempos Difíceis
(Dedicado a minha amiga Camila)
Haverá um dia em que os homens irão trocar suas armas por flores,
Um dia em que o amor será exercido em sua plenitude.
Um dia em que não precisaremos mais dormir para sonhar
Porque muitos deles já serão realidade.
Um lugar onde não haja opressor nem oprimido,
Onde o vermelho do sangue será visto apenas no horizonte de um arco-iris,
Onde a liberdade e a igualdade não farão mais parte apenas do discurso,
Mas sim traduzidos em oportunidades para todos os seres humanos.
Um dia em que o sistema ruirá e a natureza florescerá.
Nunca desista dos seus ideais.
Por um Mundo Melhor
Não sou melhor nem pior que ninguém, apenas diferente.
Não penso como a maioria,
Faço planos para o futuro, olhando para o passado,
Mesmo sabendo que o que importa é o presente.
Por que tenho que concordar com o que todos dizem quando o mundo está cada vez mais desumano?
Pense...
Reflita...
Por que tenho que caminhar calçado pelo asfalto, quando a grama é muito mais confortável para os pés?
Por que tenho que ser um normal?
Por que tenho que ser globalizado se o mundo não liga para os desvalidos?
Eu não sou mais um número, nem você é, então porque seguir padrões?
Pense...
Reflita...
Que tipo de liberdade você quer?
Liberdade de continuar consumindo enquanto seu irmão morre de fome, ou,
Liberdade de oportunidades para todos?
Se coloque no lugar dos desvalidos e se pergunte: O que eu faria no lugar deles?
Agora se pergunte: O que eu estou fazendo para mudar essa realidade?
Caso seja negativa a resposta, se pergunte: Por que eu não estou fazendo nada?
Caso positiva, se questione: O que eu estou fazendo é o suficiente?
Se você se perguntar: Eu posso salvar o mundo?
Eu lhe responderei: Com certeza não.
Agora se você se questionar: Eu posso mudar a vida de alguém a minha volta?
Eu lhe responderei não apenas que podes mas que deves!
Esse pouco que eu fizer irá mudar no mundo?
Estarás mudando o mundo daquela pessoa que ajudastes.
Já pensou se metade do mundo ajudasse a outra metade como seria o mundo hoje?
E se você ainda não convencido me pergunta por que deveria mudar algo a sua volta?
E eu lhe digo com outra pergunta: que mundo você espera para os seus filhos, um mundo de violência ou um mundo solidário?
Ganhando do tempo
(Poema curtinho inspirado nos poemas de Mario Quintana)
Fico parado,
Fico sentado,
Olhando a água passar...
Refletindo...
E depois sigo em frente e ganho o mundo.

O caso do seqüestro do ônibus no Rio de Janeiro

Santana é um reconhecido jornalista de Porto Alegre - RS e eu na época queria ter mandado para ele este texto, o que nunca ocorreu...
Santana, a população gaúcha tem que ter bem claro o fato de que não é a pobreza fato determinante desta violência que percorre, a passos largos, nosso país, mas sim um dos fatores que influenciam ou que leva algumas pessoas a delinqüir, assim como as drogas, usos, costumes, os valores morais, éticos, religiosos, culturais... O somatório de todos estes fatores é que determinam a delinqüência e nunca a pobreza como fato isolado. Eu e tu sabemos disso, mas muitas pessoas não sabem ou não entendem, o que faz com que a população fique alienada da realidade e, mais do que isto, distancia a mesma da solução de problemas sociais. No momento em que a população entender os problemas que a aflige poderá exigir as soluções adequadas de médio e longo prazo. Ocorre que algumas emissoras de rádio e TV que são meios formadores de opinião, muitas vezes, levam a população a crer que apenas pobres estão fadados a cometer crimes, principalmente quando emitem opiniões infundadas como no caso do índio Pataxó: "como podem pessoas que tem tudo, que são ricas, cometerem crimes desta crueldade".
Em relação ao fato ocorrido no Rio de Janeiro já se sabe que o autor do fato bárbaro foi vítima de homicídio por estrangulamento e não de arma de fogo praticado pela polícia carioca. Não estou aqui para condenar ou absolver ninguém já que em crimes hediondos como tu bem sabes apenas o Juiz de Direito ou o Júri, nos crimes dolosos contra a vida, é que tem competência para tanto.
O que me preocupa é a execução sumária com que pessoas estão sendo vítimas em homicídios bárbaros praticados por parte da polícia no país. Acabei de ver na TV Cultura um estudo realizado pela Comissão de Direitos Humanos do Brasil onde revelou que no primeiro trimestre deste ano 248 pessoas foram vítimas de homicídio praticado pela polícia, instituição que tem a função de proteger o cidadão. O que prova que este fato bárbaro vem ocorrendo há muito tempo (iniciou na ditadura).
Santana, muitas pessoas inclusive juristas analisam estes fatos passionalmente, dizendo que devem morrer mesmo, que mereciam... Vamos supor que isto seja verdadeiro, então nós teríamos mais 247 homicídios com vítimas culpadas teoricamente certo?Errado, porque nos outros 247 homicídios praticados por policiais as pessoas desconhecem os fatos ocorridos, quando, quem, onde, como, porque..., portanto, podem ocorrer fatos onde a polícia de agredida passa a agressora, como já ocorreu no caso do policial "rambo" quando matou um inocente, atirando pelas costas, em chacinas ocorridas no RJ e SP, sem falar naqueles fatos onde o suposto culpado está amparado por uma das excludentes como, por exemplo, a legítima defesa. Nestes casos nós teríamos vítimas culpadas e também inocentes. Continuando este raciocínio vamos supor que 10% dos 248 homicídios foram praticados contra pessoas inocentes, então teríamos 24,8 seres humanos inocentes executados em apenas três meses. Então vamos supor, hipoteticamente que este número de execuções não se alterasse em um ano, aí teríamos 99 (noventa e nove) pessoas inocentes sendo mortas por ano, sendo que a experiência nos mostra que a tendência é crescer na proporção das desigualdades sociais. Em 10 (dez) anos teríamos aproximadamente 1000 (na verdade 992) vítimas.
O que me impressiona Santana não são as supostas 992 vítimas inocentes e sim as 9920 (quase 10 mil) vítimas. Agora, se você pensar que até o momento eu falei em hipóteses baseadas num dado real, já imaginou se aqueles 10% forem, na verdade 20% ou 30% de mortes de inocentes??
O que eu quero demonstrar com tudo isso é que as pessoas devem sim se indignar com crimes hediondos, mas não podem de forma alguma legitimar ou justificar tal atitude da polícia. Aqui vale o sentimento de Ivan Macedo, coronel da PM, presidente do Clube dos oficiais da Polícia Militar do Ceará e tio de Geísa Firmo Gonçalves, morta na segunda-feira no seqüestro a um ônibus no Rio, sobre a morte do seqüestrador: "O erro foi ainda maior porque não adiantava cometer outro crime, desta vez contra o bandido, porque isso não ia trazer de volta ou amenizar o mal feito a ela." (Folha de São Paulo, 15/06/2000).
Para concluir quero lamentar a constatação de que estamos não só vivendo numa guerra civil, como também nos acostumando com ela.
Com humildade peço que as pessoas reflitam sobre estas linhas e espero que esta mensagem alcance todos os gaúchos e não gaúchos, homens e mulheres, negros e brancos, ricos e pobres, gremistas e colorados, do Rio Grande e do Brasil.
Porto Alegre 16 de junho de 2000
Mario Malina

Meu segundo post dedico ao meu avô Salomão Malina

Parte do meu depoimento feito no livro "O último Secretário" por Salomão Malina:
(...) Muitas pessoas o chamam de doutor, título que sempre fez questão de rejeitar: “não me chama de doutor que não é verdade.” Nunca fez alarde das suas proezas e conquistas, simplesmente fazia o que tinha que ser feito e pronto, assim é que sempre agiu, mas a maneira como o tratavam e tratam até hoje, denuncia a sua modéstia e sua importância política no partido inserido no cenário brasileiro.
Certamente sofri grande influência de Salomão Malina. Talvez venha dele este meu inconformismo com o “status quo” vigente neste país e esta minha vontade de lutar contra a maré, acreditando sempre que através da democracia seja possível melhorar nossa sociedade, mas sem demagogia política e sim com uma participação maior da população nas decisões deste país, nas transformações por que passa o mundo com toda a sua complexidade atual e na diminuição das desigualdades sociais.
Por fim, se iludem aqueles que pensam que a ditadura militar é a solução mágica para nossos males e se enganam aqueles que acreditam que a busca por um país melhor terminou, o espírito de luta de Salomão Malina que não assistiu e sim fez parte da história deste país, continuará vivo e atuante. "

Homenagem ao camarada João Aveline

Dedico este primeiro post ao meu falecido amigo e jornalista João Aveline:
Quem conheceu o Camarada Aveline e já foi à sua casa sabe que ele não é daqueles jornalistas isentos, logo na entrada do seu quarto tem o símbolo do comunismo, a foice e o martelo, inúmeras homenagens e uns dizeres de Brecht no poema "os que lutam" e que se aplicam no caso deste comuna idealista:
"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."
Das pessoas que conheci, ele junto com meu avô, Salomão Malina, eram aqueles que tinham a maior capacidade de entender e compreender o país com uma sabedoria e lucidez impar, de quem já lutou muito pela democratização desse país. Aliás, devem estar agora juntos, tomando um bom vinho e falando dos velhos tempos do partidão.
Era daquelas pessoas que perdia um amigo, mas não perdia a piada, estava quase sempre bem humorado, ao mesmo tempo, era um amigo em quem você podia confiar. Sabia escutar a todos, como poucos eu vi, mas quando falava quase sempre era a sua opinião que prevalecia porque sabia o que falar no tempo certo e da maneira mais correta, ou seja, gostava de brincar, mas não brincava em serviço.
Parece que foi ontem que ainda ouvia seus casos em que contava com maestria suas peripécias, aventuras e desventuras, ultimamente repetia eles, mas da maneira como ele os contava era impossível não rir ou ficar indiferente.
Até o último suspiro cumpriu sua missão com um otimismo incorrigível e incansável, na sua tarefa de lutar por um mundo mais justo e humano, fazendo por merecer todas as homenagens que já recebera até hoje e o título de "imprescindível".
Do seu eterno amigo,
Mario Malina

Obs: João Aveline foi jornalista em Porto Alegre - RS, utilizando-se de pseudônimos como zé antena e antenor modula para escrever no anonimato no Jornal Última Hora, devido á perseguição política que sofreu na época e com o qual convivi por 13 anos, chegando a publicar o livro "Macaco Preso Para Interrogatório".