O filme “A procura da Felicidade” conta aquela velha estória do sonho americano: basta você se esforçar, ser o melhor, ter um emprego em Wall Street e trabalhar na bolsa de valores para ser feliz, afinal o Capitalismo seleciona os melhores e dá oportunidade para aqueles que são dedicados. Não importa se você é negro, pobre, tem um filho para sustentar e está desesperado porque não tem dinheiro para se alimentar e um teto para morar, pois, basta você lutar.
Felizmente ou infelizmente esse sonho que se vende como uma bula de remédio em farmácia, mas com prazo de validade vencido eu já não tenho.
Quantas vezes você já escutou por aí: “se você é bom você consegue” é o sonho americano incutido na cabeça do imaginário popular. Vamos ver exemplos não de bons profissionais, mas de gênios que superaram sua época e tiveram uma vida humilde e nunca enriqueceram. Van Gogh, pintor que hoje seria milionário foi desprezado pela sua época; Kafka foi um dos maiores escritores da sua época, era advogado e nunca enriqueceu.
O capitalismo não seleciona bons profissionais apenas, seleciona péssimos também e, além disso, deixa de selecionar milhares de pessoas boas também.
A questão é que não há espaço para todos os profissionais porque o capitalismo é excludente, mas tentam vender a imagem de que é possível ganhar dinheiro e ser feliz, basta sua força de vontade.
A questão é que não há espaço para todos os profissionais porque o capitalismo é excludente, mas tentam vender a imagem de que é possível ganhar dinheiro e ser feliz, basta sua força de vontade.
Por que não fazem um filme americano contando o que aconteceu com a Argentina onde milhares de pessoas ficaram desempregadas da noite para o dia, onde a pobreza e a miséria se instalaram, pessoas saíram do seu país ou tiveram que viver com baixíssimo padrão de vida e, ainda, as empresas americanas sugaram todo o capital. Por que não perdoam a dívida dos países mais pobres? Será que não interessa para eles que fiquemos mais pobres ainda?
Será que é tão difícil olhar e ver que o capitalismo é excludente, não importa se você é pobre ou milionário; se você hoje está empregado ou não, isso é um fato, caso contrário não teríamos a desigualdade social a níveis alarmantes no Brasil.
Felicidade é realização profissional para alguns, para outros é encher o bolso de dinheiro. Seria bom se cada um tivesse o modelo de felicidade que deseja e não comprassem apenas o modelo americano, como gado indo para o abate como aquela estátua na frente do prédio da bolsa de valores de NY.


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