quinta-feira, 23 de agosto de 2007

"Isso Não Vale! Queremos Participação no Destino da Nação."

Esse é o tema do Grito dos excluídos de 2007. No 1º dia do 9º encontro dos articuladores, ocorrido nos dias 23 a 25 de março, formou-se a roda da inclusão, todos se apresentaram e disseram o destaque do ano anterior. A repressão policial e a falta de apoio do gov. foram os destaques negativos da maioria e o positivo foi o aumento dos participantes em todo o Brasil.
Dois deles chamaram a atenção. O primeiro, de Silvana Prestes, 36, sindicalista. Disse que participava do movimento com seus 2 filhos, Rafael, 10 e Diogo, 12, segurava uma bandeira e teve que abaixá-la por ordem de um policial até chegar à concentração. A todo o momento eram bloqueados pela PM e após, impedidos de fazer o ato em frente ao palanque das autoridades, ficaram atrás cercados pela PM. O segundo, de Eduardo R. Madureira, 27, assessor, disse que houve abaixo assinado de 6 mil pessoas para abertura de CPI na Câm. dos Dep. para apurar acusações de corrupção.
À tarde, a dep. fed. Luíza Erundina chegou para a palestra. Pouco antes de iniciá-la disse que o movimento "é uma manifestação necessária, legítima e de discussão sobre a política econômica. Tem compromisso com os direitos humanos. Traz conscientização dos seus direitos e promove mudanças."
Na palestra a dep. fez uma análise da conjuntura política e social do país: "o partido não representa mais uma ferramenta de educação política como antes. O PT chegou ao seu limite e não é capaz de fazer as reformas de base. Não fez a ruptura com os antigos setores da sociedade."
Tecnologia digital
Erundina alertou que os grandes meios de comunicação querem que os novos meios que serão criados com a tecnologia digital fiquem consignados aos já existentes. Para ela essas famílias não querem dividir o poder.
Socialismo
Para a deputada "o modelo soviético não acompanhou a dinâmica da realidade. Contudo, o socialismo não tem um final, pois é uma visão de mundo." Segundo Erundina "falta um novo projeto para criar uma nova sociedade já que o próprio planeta está em risco."
Partidos sem projeto
A deputada confessou: "hoje não há nenhum partido com projeto, inclusive o meu partido, o PSB!" Segundo ela "o parlamento deve ser um meio de manifestar as vontades do povo. Mas seria uma injustiça com o projeto social generalizar que todos os políticos foram prostituídos. Não esperem mudanças e sim vozes isoladas."
Assim foi o 1º dia do encontro. Na 6ª f. entrevistei Ari Albert, coordenador do grito e sábado o prof. Alfredo J. Gonçalves. Vamos às entrevistas: para Ari "a Assembléia Nacional revelou que não pode mudar a realidade, mostrando que é um grande balcão de negócios". Foi enfático ao dizer que "é preciso democracia direta e participativa, pois a representativa não tem mais função e só legisla para os seus interesses."
Novo sistema
Para ele o objetivo do movimento é "um projeto popular. Mudar o modelo que não favoreça apenas o capital, mudar para o socialista. Não o antigo, mas um novo modelo. A mudança passa pelas lutas de massa e mobilização popular."
O prof. Alfredo, em relação à genética, disse que "toda a técnica é uma faca de dois gumes. Ela pode beneficiar ou prejudicar vidas como p. ex. a criação de um mercado clandestino de órgãos", alertou.
A igreja deve cortar na própria carne
Alfredo concordou com a afirmação acima: "acho que sim. Isso tem que ser feito. Tem um lado da igreja que é latifundiário e outro que apoia os ‘sem terra’. Alguns setores da igreja estão ligados aos mais poderosos e outros aos setores sociais."
Comunismo
Afirmou que "é possível a convivência entre comunismo e igreja, pois a religião é uma necessidade profunda do ser humano, independentemente do meio social em que vive."
No fim do encontro debateu-se a anulação da privatização da Vale e a reestatização, tema do plebiscito do dia 7 de setembro. Além do trocadilho, "isso não Vale", há boas razões para a anulação da privatização da Cia.. Uma delas é a venda ter sido feita por R$ 3,3 bi, apesar do patrimônio avaliado em R$ 92,64 bi.

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