quarta-feira, 14 de março de 2007

O último discurso de o grande ditador

Eu li esse texto do Charles Chaplin pela primeira vez em 1987, com 14 anos e fiquei fascinado com a beleza dele, espero que gostem tanto quanto eu:

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador, não é esse meu ofício, não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - Judeus, o gentio...negros...brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para o seu infortúnio.
Porque havemos de odiar e desprezar uns ous outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenena a alma dos homens... Levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, precisamos em perdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente a vontade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, crianças... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocente. Aos que me podem ouvir eu digo: " não desesperais!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia..." da argura de homens que temem o progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá."
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos arregimentam as vossa vidas... que ditam os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois!
E com amor a humanidade em vossas almas! Não odeies!
Só odeiam os que não fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Luteis pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São
Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - e não dentro de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós o povo, tendes o poder! O poder de criar máquinas. O poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança a velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados tem subido no poder, mas só mitificam!
Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo abater as fronteiras nacionais. Dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo?
Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam!
Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem banhou asas afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos Hannah!
Ergue os olhos Hannah!"
Charles Chaplin

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